domingo, 15 de abril de 2012

um sonho a base de neurose



Estou numa cidade. Especificamente, numa estrada. Parece Inglaterra. Árvores ao redor. Faz frio, mas tenho proteção. Ando com uma turma de meninos e meninas. Todos cobertos. Todos com um rumo que, agora, não consigo me lembrar. Aliás, eu pareço ser nova por aquele lugar, porque pergunto sobre tudo. Olho pr’um lado e vejo um urso preto me encarando. Apresso o passo, medrosa.
Até que chegamos a um canto da trilha, não sei bem dizer... Havia morros, rodovias, árvores, morros... E várias pessoas seminuas. Muitas pessoas seminuas. Vestiam apenas calças ou shorts, ambos jeans. Sonhos não são pra fazer sentido, são? Elas corriam e riam. Estavam protestando contra algo, contou-me algum garoto que eu sabia ser meu melhor amigo. Recebiam um nome, mas não consigo me lembrar. E então, esse meu melhor amigo do sonho começa a ficar nervoso. Diz que, como são protestantes, uma rebelião, logo virão busca-los, impedi-los. E que nós também seríamos pegos. Quase sem pensar, começamos a correr entre eles. Imediatamente, eles também correm. Vem a “polícia”. Não era esse o nome usado, mas não importa.

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Eles se acolhem em cabanas, casas acima das árvores, mas não exatamente... Não consigo descrever. Nós continuamos a correr para nos safarmos, para que pareçamos longe o suficiente e que não sejamos confundidos (Quando acordei, refleti e pensei: Porque não fomos pra outro lado ao invés de entrar no meio desse povo? Aliás, já estava na cara de que não fazíamos parte daquela revolta, afinal, estávamos vestidos, não? Mas.... Sonhos realmente não são pra fazer sentido.) com revoltados. Vejo que estamos a beira de um abismo, mas sei que, se eu pulasse ali, conseguiria me safar e sairia viva. Mas o meu melhor amigo e a turma que eu estava junta nunca conseguiria pular comigo a tempo, a tempo de se livrar. Então, como estamos na parte da “floresta” que está repleta de arbustos e flores que parecem do filme da Barbie, eu puxo uma pétala de uma flor para me esconder e descubro um índio. Isso, um índio. Muito bem escondido. E me escondo com ele, junto aos meus amigos. 
Somos descobertos, claro. O tal policial diz que uma tal de “Margus”, “Margareth”, também não me recordo o nome, contou-lhe sobre esse esconderijo. Ela devia ser tipo... Presidenta. Sei lá. Somos levados a um trem – que, incrivelmente, é de luxo. Bancos de veludo e tudo. – onde ficam os criminosos, os que serão aprisionados. E tem muitos vagões, muita gente. Sento num banco ao lado do meu melhor amigo. Gostaria de saber, agora, o nome dele. Nós conversamos – planos, táticas, tudo muito incerto. Eu levanto. Não sei por quê. E ao lado de uma amiga, vou a um outro vagão. Nesse outro vagão tem um homem. Ele me encara. Olhos maldosos. A sua aparência má. Tenho impressão de já ter o visto. Ah! Lembrei-me da amiga. Uma amiga que existe na vida real, finalmente. (F. Não vou dizer todo seu nome) Esse mesmo homem põe um boné. Arrasto F. pra sentar naquele vagão. O homem passa por nós e para no banco a nossa frente, ocupado por uma mulher. Tira uma pistola do bolso. Atira, não mirando na mulher, mas no vidro acima de sua cabeça. F põe a mão na cabeça da mulher, que não tinha visto o movimento do homem, para que se abaixasse. Ela faz isso para salva-la. Ainda assim, os vidros a fazem sangrar. Eu sei que a próxima vítima sou eu, mas permaneço parada. É provável de que, se eu me mexer, ele me matar. Como eu deduzia, ele vem a mim. O que eu mais me chateio é trazer F pra isso. Ela acaba se machucando também, e odeio machucar as pessoas. Ele não atira em nós – Atira no vidro acima de nós, da janela fechada. Mas demora. São muitas balas. Nem acredito na quantidade infinita. E me passa pela cabeça que, nessa realidade do meu sonho, mesmo esse modo de atirar não diretamente na vítima do homem faz as pessoas desmaiar, que já havia muitos casos de desmaios. Começo a perder o sentido. Tento dizer a mim mesma de que não vou desmaiar e sussurro palavras de consolo a F, que está a cair em meus braços. Bem nesse momento, de confusão, lembro-me onde vi esse homem. Era o mesmo homem malvado que eu vi machucar o meu melhor amigo. Quer dizer, era estranho que eu tenha visto isso, porque na minha vida real, eu nunca tinha visto essa cena. Parecia real. Parecia que eu tinha entrado nessa personagem e nesse mundo e nessa história. Eu era, realmente, a personagem.
Pois bem, o homem parou, mas me arrastou pra um vagão sem nada além de garrafas de bebida vazia. Bem aí, vejo uma saída, a única que tenho. Apesar de ter que largar tudo, é a minha solução... Sei que vou morrer. De algum jeito, acho que pego um ferro e bato na nuca do homem, eu pulo do trem, mesmo que sua velocidade esteja em alta. Eu me arrisco.
Nessa parte do sonho, fica meio confuso, porque uma parte minha pulou do trem e estava caída, mas a minha visão volta para dentro do trem. É como se eu tivesse uma irmã gêmea. Uma caiu, e a outra ainda está no trem. A que está no trem imita sua gêmea, pula. Mas ambas sou eu, e vejo tudo da perspectiva de ambas. É estranho demais. Essa segunda gêmea, a segunda a sair, consegue se arrastar até chegar a uma parte da floresta onde tem crianças cuidando de animais mortos. Um hamster se debate. Com certeza, os tais “policias” machucaram os animais. Ouço uma criança dizer pra deixarem o hamster morrer, sem ressentimento. E não agüento, intrometo-me, não deixo que façam isso.
Um adulto ouve e vê a minha situação. Sente pena de mim. E aí tenho sorte, porque ele me leva pra sua casa, que é quente. Tem comida. Tem água. Tudo que eu preciso. Ele me alimenta, me deixa bem, tomo um banho. Passo alguns dias me recuperando nessa casa. Descubro que o tal adulto tinha três filhos e sua adorável esposa, mas todos sumiram... Não lembro se morreram ou realmente sumiram. E, ao me ver, ele recordou-se do amor fraternal, não resistiu. Fico emocionada, claro. Mas, no dia seguinte a esse, peço pra procurar o meu outro corpo, o corpo da minha gêmea.

Justamente aí acordei. E acordei confusa, chorosa, nervosa. Como se tudo tivesse sido verdade.
Sinto como se estivessse enlouquecendo. Sonhos me enlouquecem. Não quero me livrar deles, eles só... Enlouquecem-me de um modo que nem imaginam, pois penso mil coisas a respeito deles. 
Pode ser outra vida tudo isso que vivi. Outra vida minha. Ou os meus desejos, ou tudo que eu ando vivendo refletidos em um sonho, pois esse urso preto... Eu lembro algo da vida real falando de urso preto.

(sonho sonhado de sexta pra sábado; 13 de abril pra 14 de abril)

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