Sentada no avião, sentindo-me uma sardinha espremida numa lata de tão apertada, fico a pensar em como será meu futuro. Em como tudo que eu decidir, daqui pra frente, será extremamente decisivo, sem volta
O desconhecido sentado ao meu lado está dormindo de boca aberta. Aposto que deve estar num sonho muito bom, a julgar pela sua expressão despreocupada e calma. Observando-o desse jeito, afogado num sono aparentemente tranquilo, até sinto uma pontada de inveja. A vida dele está, ao menos, suportável ao ponto dele conseguir dormir, ao contrário da minha.
Durante as 11 horas de vôo, não durmo. A angústia da incerteza de como tudo acontecerá me envolve, e nem mesmo a doce leitura de Markus Zusak me tranquiliza.
Penso em tudo que terei de me adaptar, as comidas, o modo de vida, a linguagem, ai meu Deus, a linguagem! Como vai ser difícil me afastar do meu TÃO amado português, com quem já compartilhei tantas histórias, palavras, ilusões, ficções!
Tento não focar no preconceito que posso sofrer. Estou sendo otimista, claro. Acredito que serei bem recebida por lá, mas quem garante que assim acontecerá? Sem dominar a língua, como vou fazer amizades? Quer dizer, o pouco de inglês que sei poderá me ajudar, mas...
E, ao mesmo tempo que estou ansiosa e angustiada, estou extremamente feliz com o que está acontecendo. Minha vida será mais feliz, fácil, leve. Acho até que minha mãe vai EXPLODIR de tanta alegria. Nós acreditamos que essa mudança é necessária, e será boa, será saudável pra nós. Eu acredito.
(Oi, gente. Voltei. <3)
(Oi, gente. Voltei. <3)
Nenhum comentário:
Postar um comentário