Não é como se todo mundo entendesse o que eu passo. Quer dizer, estou aqui, parada num canto de uma festa, sem interagir com ninguém. Estou até arrumada. As pessoas somente não me dão o espaço pra eu mostrá-las quem realmente sou. É como se elas criassem um escudo contra mim, sabe? Eu não sei o que eu faço de errado, na verdade. Defeitos e manias a parte, não me considero chata. Ou... Será que sou?
Balanço meu copinho de refri ao som da música. É, enquanto alguns estão a se embebedar para, provavelmente, ao chegar em casa, passar mal, eu me contento com minha Coca-Cola (que, graças a Deus, não está com rato algum). Toca um eletrônico, talvez seja Skrillex. Uma garota conhecida, nesse momento, passa ao meu lado. E surpreendentemente, ela me chama.
- Psiu! Cecília!
Ela vem ao meu encontro, cumprimenta-me (o que achei uma ação gentil e simpática), nós conversamos por alguns breves minutos, até que chegamos ao ponto "essencial" da conversa.
- Então, querida, como anda o seu irmão? Sei que não temos essa intimidade toda, mas soube que ele está solteiro... Você não pode me dar uma ajudinha, tipo... Com ele, e tal?
Engulo todas as minhas críticas. Entre ficar sozinha e ter uma conversa com uma pessoa interesseira, o melhor (de longe) seria ficar sozinha. Pois é, suspiro. Pessoas fúteis.
- Hmm, Tainá, acho que não vai dar. Ele me disse que terminou justamente pra dar um tempo nessas ficadas e tal. - respondo, recuperada do choque inicial.
- E se eu dissesse que posso fazer você ficar com o André ali? - ela me aponta um garoto. É bonito, aliás.
- Bom, e se eu te dissesse que não fico com garotos, desse modo? Sou contra beijar só por beijar, sem um sentimento real, entende? Pra mim, isso é algo sem necessidade, fútil.
- Meu Deus, Cecília. Agora sei porque você está aí sozinha. - e ela sai.
Tenho vontade de gritá-la e perguntar "Diga-me, então, o porquê de eu estar sozinha. Até agora, não consegui descobrir". Mas, então, paro e reflito que ali estou sozinha por não ser meu "habitat". Festas assim são formadas por adolescentes que querem dançar, beber até vomitar, trocar saliva com um milhão de pessoas e "se divertir", ao modo deles. Só que não é desse jeito que eu sou, não são minhas características, por isso eu nunca me encaixaria ali.
Humpf. Pois. Acho que meu destino final será ficar velha com vários gatos, tricotando na minha cadeira de balanço e assistindo programas de culinária. Até eu tropeçar em um dos meus gatos, e morrer.
Claro, essa é a minha visão pessimista. A otimista seria que eu morreria antes de envelhecer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário