Era um homem violento. Agredia com palavras. Depositava
todas suas frustrações em cima de sua família, pessoas inocentes. E berrava.
Berrava achando que alguém estava a escutá-lo. “Mundo louco!” Sentia-se
incompreendido pela sociedade; mal sabia que era ele quem não compreendia a
própria sociedade. Ameaçava suicídio, mas nunca o fazia, já que faltava a tal
da coragem.
E não tinha motivos realmente graves para agir do jeito que
agia. Era algo que o atormentava na sua cabeça; talvez a solidão, talvez a
falta de uma energia boa em sua vida. Nada, porém, que se comparasse a angústia da
fome ou a ser submetido a torturas traumatizantes. Não era nada disso.
Os surtos tornavam-se cada vez mais constante. A mulher,
coitada, sabia que culpa não tinha, e se sensibilizava ao ver o marido numa
situação tão... Triste. Negava, porém, a possibilidade de ser uma doença séria.
Também se acovardava ao pensar na possibilidade de deixá-lo. Escondia, através
de MUITA maquiagem, os problemas que tinha em casa, com o marido a berrar e
gritar por, aparentemente, bobagem.
Ao lado, agarrada na perna da mãe, os olhinhos marejados e pequenos acompanhavam a transformação do pai num monstro. Ele gritava. A pequena sentia ódio misturado a tristeza. O que entendia dessa situação toda, afinal? Recorria a uma esperança mínima e, ao dormir, ia pedir ao papai do céu, tão bondoso, pra livrar o seu papai do monstro que o atormentava.
Ao lado, agarrada na perna da mãe, os olhinhos marejados e pequenos acompanhavam a transformação do pai num monstro. Ele gritava. A pequena sentia ódio misturado a tristeza. O que entendia dessa situação toda, afinal? Recorria a uma esperança mínima e, ao dormir, ia pedir ao papai do céu, tão bondoso, pra livrar o seu papai do monstro que o atormentava.
Uma noite, acordara com os berros sem sentido do pai.
Aconteceu sem que ela raciocinasse: tinha ido dormir recortando revistas com a mãe, por isso, a tesoura - inocente tesoura, sem ponta - estava ao seu lado. A menina pensou, então, que a tesoura poderia
tirar a parte monstruosa do seu pai. Ela sofria. Não sabia o porquê,
provavelmente por ver a mãe sofrendo, somente sofria e chorava muito. E não
entendia. Queria livrar o pai do monstro. O monstro maldito que fazia a
mamãe chorar.
Apareceu, no meio da sala, onde seu pai tinha a expressão
enraivada e continuava a soltar suas palavras que causavam uma mágoa enorme, e
com a tesoura, apontou pro homem. Assustado, ele ameaçou tirar a tesoura da
filha. A filha, sem entender, ameaçou cortá-lo. O pai esquivou e voltou a
discutir, dizendo que a culpa da filha estar ali, parada, querendo machucá-lo,
era da mulher. A mulher voltou a chorar, injustiçada. E a filha continuou com a
tesoura em mãos, murmurando “Sai, monstro, sai”.
Quando cresceu mais um pouco, a menina entendeu que o
monstro nunca sairia do seu pai. Ele continuava ali. Por vezes adormecia, só que
continuava ali - agora atacando tanto mãe quanto filha. Por isso, a melhor
solução que ela achou foi fugir desse inferno diário que tinha de sobreviver a
cada dia.
E a fuga tão desejada a deixou, de fato, com uma vida mais feliz, mais pacífica. Com sorrisos superando lágrimas.
Foto: weheartit
Lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirlindo é VOCÊ!
Excluirseu LINDO!
HAHAHAH <3
Emocionante filha
ResponderExcluire isso é o que acontece quando sua mãe entra no note da sua irmã, lê o seu texto e resolve comentar, sem saber ou notar que está na conta da sua irmã.
Excluirok, ok.
obrigada, mãe. <3 hauhauhahua