terça-feira, 1 de outubro de 2013

resenha: Cidades de Papel

    Por conta da minha prática constante de leitura e por eu estar sempre assistindo filmes e alguns seriados, resolvi pôr uma base no blog de escrever uma resenha por semana, ou a cada duas semanas, algo do tipo. Quero exercitar críticas e opiniões e atualizar o blog sempre, por isso, essa foi a melhor forma que achei de juntar o útil ao agradável.
     Na resenha de hoje, vou falar sobre a mais recente obra lançada no Brasil do John Green, Cidades de Papel, uma história encantadora, com personagens adoráveis e inteligentes. Mas como opinar sobre Cidades de Papel sem mencionar a escrita de John Green? Já li três de seus livros e consegui notar uma semelhança entre eles: é o que eu chamaria de "Particularidade Green". John Green tem essa sua escrita própria, essa sua exclusividade, assim, é fácil reconhecê-lo em seus livros. Sempre cheio de metáforas, com personagens fantásticos, cômicos e os secundários melhores ainda, com uma história envolvente, doses de romance e comédia, diálogos engraçados e reflexivos e descobertas essenciais que poderiam ser postas num livro de auto-ajuda chato, mas que nos livros do Green se tornam algo criativo, que dá pra se aplicar na vida - já que, como seus livros têm personagens adolescentes, acaba se tornando algo mais interessante.
    Cidades de Papel me conquistou logo no título, que me deixou angustiada para saber sobre o que se trata o livro. Acho que esse é o propósito dos títulos, né? Seduzir o leitor para deixá-lo curioso sobre o conteúdo. E John Green conseguiu acertar em cheio nisso.
    A história é sobre Quentin, cujo tem uma vizinha chamada Margo Roth Spiegelman desde que eles eram crianças, quando eles tinham uma maior proximidade. Com o passar do tempo, entretanto, eles se afastam, e Quentin nota que Margo está se tornando um mistério-imprevisível. Em um dia, Margo aparece na janela do quarto do menino para levá-lo a algo que eu poderia chamar de "aventura". Ah, sim, Q tem uma queda pela menina, o que é absolutamente compreensível, já que Margo Roth Spiegelman é o tipo de personagem misteriosa e "cool". Apesar dos apesares, ela foi uma das personagens desse estilo que mais gostei e me identifiquei. Curti sua personalidade, o seu jeito de aparentar ser uma pessoa num lugar e, num outro local, ser outra pessoa. (Vai dar pra entender melhor lendo o livro, acredite.)
     Bom, então Margo foge, o que é algo costumeiro pra ela, e Quentin procura pistas para encontrá-la. Ficamos envolvidos nesse mistério de "Cadê Margo?", e eu particularmente acho que o Green foi um sacana perfeito nesse livro. Ele usou uma tática de fazermos gostar da Margo (ou, pelo menos, foi o que aconteceu comigo), para depois fazê-la sumir, deixando-nos curiosos e na expectativa de conseguirmos, junto com o Q, encontrá-la. Outro ponto positivo do livro é o modo como os personagens foram envolvidos e, os fatos, entrelaçados na história, como se cada ponto citado na história não fosse somente uma menção qualquer, mas algo fundamental futuramente.


    E os personagens secundários? Como já antes disse, adoráveis. O Radar (papais noéis negros!!!!), que é um inteligente que entende de computador e tem um site a la Wikipédia e, que mesmo assim, não é um tipo personagem nerd-chato, mas engraçado e centrado. O Ben (Maiores bolas do mundo hauhauha), que acaba tendo uma reviravolta quanto a seu par no baile e - pra mim - foi essencial à trama, justamente por ter sido ele o principal na leveza e comicidade da história, porque sem ele, as piadas não teriam graça. Até mesmo a Lacey, que aparentava ser uma típica patricinha chata, surpreendeu-me. Acho que, mesmo eu tendo adorado o Quentin, algo que me fez realmente gostar do livro foram esses outros personagens.
    Algo que não me satisfez no livro foi o final. Fiquei com um gostinho de "foi resolvido, mas ainda assim, não foi". Acho que isso é típico do Green também: ele nos deixa, quase sempre, um fim meio "do nada", tornando-nos curiosos sobre o que terá acontecido em seguida.
    Cidades de Papel é minha recomendação da semana: um livro charmoso, intrigante e misterioso, cheio de graça e bom humor e de reflexões inteligentes, sobre - por exemplo - como as pessoas realmente são.


(Foto: weheartit)

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